Dia 77/80 até o final do ano.
Diário de verão, 08/89.
Hoje vou contar um pouquinho sobre a minha experiência em um Rafting no rio Paraibuna, que fizemos com o guia Romão.
Ele forneceu o transporte até o local que é semelhante a um sítio onde temos lugares para deixar as mochilas de forma segura e trocamos de roupa.
No grupo de informações que foi criado antes do evento o guia nos orientou a usar camisa de manga com cores fortes, além de algumas orientações sobre o que levar na mochila.
De início já tiramos algumas fotos e todos pareciam bem animados e alguns um pouquinho apreensivos.
Nesse sítio tivemos algumas pequenas instruções e fomos orientados a não levar nada que pudesse cair na água, nenhum tipo de adereço, como relógio, pulseiras ou anéis.
As mochilas ficaram em um armário com chave e por precaução deixamos essas chaves, nossa aliança e o celular com o motorista que nos levou até o sítio, ele foi muito gentil e solícito.
Ainda no sítio eles também nos entregaram os coletes e capacetes, que são equipamentos de segurança essenciais para esse tipo de esporte.
Lá no sítio pegamos um ônibus com o guia e os instrutores do Rafting, que eram pessoas muito divertidas, tiraram várias fotos e fizeram brincadeiras durante o percurso até o rio, onde tudo ia começar.
Confesso que nesse momento comecei a ficar um pouquinho apreensiva também.
Chegando ao local onde seria feito o rafting recebemos instruções mais claras sobre o evento, a equipe se mostrou muito bem preparada, disposta a tirar todas as nossas dúvidas e mesmo ainda em terra explicaram tudo da forma mais prática possível.
O início foi bem tranquilo e ali eles já começaram a mostrar que nossa segurança era o mais importante. Lembro que uma das primeiras frases do instrutor foi "agora vamos separar os casais e vocês vão sentar onde eu falar".
Parece uma frase meio insensível talvez, mas ele explicou que o lugar onde cada pessoa senta faz diferença na distribuição do peso do bote o que pode ajudar ou dificultar na hora de passar pelas correntezas fortes.
Como nós deixamos nossos telefones não daria para tirar fotos e essa foi uma das preocupações de muitos no dia, mas eles tinham uma pessoa apenas para realizar esse procedimento.
O momento das fotos era muito bacana, dava para descansar um pouquinho e confesso que era um momento de um certo alívio, apenas sentir o barco seguindo a correnteza.
O fotógrafo ficava em um bote sozinho e dava instruções para os guias de quando podiam seguir e se ainda faltava algum bote passar.
Nesse dia tinham outros grupos além do nosso, mas eles tiveram o cuidado de tirar as fotos de cada um por vez.
Bom aqui a gente já sabia que teria uma decida e o instrutor do barco foi extremamente profissional e isso deu segurança para seguir as orientações dele e tentar fazer tudo com bastante atenção para o bem da equipe.
Ele nos orientava sobre onde deveríamos ficar sentados no barco, onde segurar e os momentos de remar e principalmente de não remar, pois em alguns momentos apenas ele deveria guiar o barco para posicionar da forma correta.
Em alguns momentos precisa remar bem forte e todos juntos, ele tinha alguns códigos que foram passados no dia, para informar quando as pessoas do lado direito deveria remar e quando seria o lado esquerdo.
Perceber que o barco ia cair dava uma grande tenção, pois qualquer errinho nesse momento poderia fazer o bote virar.
Se vocês observarem na imagem o instrutor que esta na parte de trás, de camisa preta e vermelha, esta segurando as cordas que ficam em volta do bote, isso também é uma forma de manter o bote equilibrado.
Remos para o alto, posicionados de forma estratégica para não cair na água e não bater nos colegas do bote, tudo instruído com antecedência.
Quando o barco cai você bebe tanta água que seria a cota de uma semana e tudo acontece muito rápido, a gente bebe água pra chuchu, fica meio desnorteado e já tem que posicionar os remos para seguir novas instruções.
Mas esse momento que a gente consegue descer as corredeiras é muito divertido, na hora dentro do bote essas quedas parecem bem mais altas, pode acreditar.
E não passamos apenas por uma, como você pode imaginar nós fizemos isso algumas vezes ao longo de todo percurso, mas não cheguei a baixar todas as fotos.
E cada uma das vezes a tenção era maior e minha concentração era tanta que eu não conseguia nem pensar em muita coisa, apenas repetia mentalmente cada uma das instruções e dava o meu melhor para não me prejudicar e nem aos colegas do bote.
Contudo, mesmo muito concentrada meu coração estava batendo tão feliz que seria até difícil de descrever, o contato com a água a adrenalina de passar pelas corredeiras e olhar para o lado e ver o Ton também feliz e sorridente toda vez que a gente conseguia, era muito gratificante.
Sou muito grata pela oportunidade de vivenciar esse momento e por ter aproveitado cada minuto.
Quando já estávamos chegando perto do final onde o bote ia parar começamos a conversar de forma mais leve e algumas pessoas até brincaram:
- Acho que nosso bote foi o único que não virou, que maneiro, ponto pra gente!
Eu precisei intervir e disse:
- Ainda não chegamos na margem do rio, só vamos cantar essa vitória em terra firme.
E todos começaram a rir, concordando que "só acaba, quando termina".
Mas conseguimos chegar até a margem sendo o único bote que não virou, ou melhor que não virou sem querer.
O nosso bote também foi o único que fez uma pequena simulação, antes de chegar na parte com correnteza forte.
Nós forçamos o bote a virar e o instrutor mostrou qual seria o procedimento para desvirar, nunca bebi tanta água em tão pouco tempo, mas foi uma experiência muito instrutiva.
Quando cheguei no sítio estava de corpo e alma lavados e me sentia tão revigorada que não tenho palavras para descrever aquele sentimento de realização e até aproveitei para brincar um pouquinho.
Ps. depois de beber tanta água de rio o Ton e eu pegamos uma gastroenterite terrível, mas sobrevivemos.
Muito obrigada por estar aqui 🌻
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