“Escreva, minha filha, escreva. Quando estiver entediada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas, experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos, descreva como exercício o degrau da escada de seu edifício (saiu em verso sem querer), escreva sempre, mesmo para não publicar e principalmente para não publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras-primas, que de há muito eu já perdi, se algum dia a tive, mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontra em si próprio sua justificação. Isto é muito melhor do que traduzir Proust, distração que não distrai, porque é chata como toda tradução, e acaba nos desculpando muito fracamente perante nós mesmos de não havermos escrito por nossa conta e responsabilidade.”
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – Carta a Maria Julieta (7 de fevereiro de 1950)
https://giragirassol.wordpress.com/2013/01/01/escreva-minha-filha-escreva/
Na carta ele fala sobre escrever, mas que você possa fazer aquilo que te faz bem, simplesmente por fazer, desenhos, artesanato, jogos, sem medo e sem julgamentos.
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